TEMOS OS NOSSOS PRÓPRIOS
DONALDs TRUMPs

Algumas análises apontam para uma onda conservadora que toma o mundo desde o extremo oriente russo, passando pela crise imigratória, a guerra da Síria, a saída do Reino Unido da União Europeia e, por fim, o resultado político duvidoso em uma democracia entendida como plena: a dos Estados Unidos. Entretanto, e se não for uma onda conservadora em conteúdo e apenas em forma? E se nós estivermos falando também sobre uma reação desesperada da população mundial frente aos tão falados sistemas saturados, como o sistema político?

A presidência de Donald J. Trump não é resultado apenas de uma onda conservadora, embora ele tenha sido eleito com base em um discurso extremamente conservador-nacionalista e, apesar de ter abrandado esse discurso depois de eleito, seu maior crime foi justamente despertar sentimentos com potencial odioso em seus eleitores; sua presidência também é resultado de uma falta de alternativa aparente, de um desespero coletivo.

“Temos um problema?” “Sim: o mundo enlouqueceu.” “Como resolver?” Ninguém diz nada, ninguém propõe algo tangível para o eleitor mediano. E aí quando surge um cidadão com aparente força e controle e diz “a solução é um muro”, as pessoas não pensam criticamente sobre isso. Elas pensam “oh, alguém com uma solução enérgica, porque todos os outros apenas flutuam em discursos malomenos, apenas criticam, sem uma solução, além de serem esses os discursos que justamente nos colocaram onde estamos, para início de conversa”.

Sabe quem elegeu o novo presidente americano? Não foram os neo-nazistas dos EUA. Foram os eleitores de Bernie Sanders. Foram aqueles que defendem uma economia mais fechada, aqueles que defendem uma ação mais firme do governo, e principalmente aqueles que querem uma mudança do status quo, os mesmos eleitores de Bernie. Parece loucura, não? E é loucura! Porque pela milésima vez, isso vai além do discurso direita-esquerda. As pessoas querem ir para a frente e estão tão desesperadas que pegam na mão de qualquer maluco e confiam como se esses estranhos fossem o próprio Mahatma Gandhi.

A re-invenção da forma como se faz política, é o futuro da política em si. Um novo formato e conteúdo cada vez mais afastado do House of Cards britânico e mais próximo da realidade social. E ela começa não com os indivíduos candidatos, mas com a retomada da comunicação direta, honesta e eficiente com os eleitores, que devem passar a ter um pensamento crítico.

Estamos tão preocupados com a Casa Branca e seu futuro titular, com a alta do dólar e os hobbies atômicos de Vladimir Putin, que nos esquecemos de nossos próprios problemas “domésticos”.

Nessas últimas semana PECs foram aprovadas no Congresso Nacional, diversas escolas foram ocupadas, Estados pediram por socorro financeiro e ex-governadores foram presos justamente por essa falência sistêmica. E enquanto tudo isso acontece, os nossos próprios Donalds Trumps se utilizam de um discurso nacionalista-conservador para garantir seu próprio ovacionamento aos custos de uma Nação inteira. Aos custos do nosso Brasil. Do Brasil de agora e do Brasil de 2018.

2 respostas para “TEMOS OS NOSSOS PRÓPRIOS
DONALDs TRUMPs”

    1. Obrigado Raphael! Acredito que as “forças progressistas”, por assim dizer, precisam entender melhor como se comunicar com mais eficiência junto a população, principalmente sobre as suas soluções para os problemas do nosso país. Caso contrário, muros, que são “soluções” palpáveis, vão continuar conquistando adeptos… Abraços!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *