NEM PRESIDENTA, NEM PRESIDENTO

(Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A Presidência da República não é um  partido político, não é uma empresa privada, não é um órgão público, tampouco é uma pessoa. A Presidência da República é uma instituição. O Congresso Nacional é uma instituição. O Supremo Tribunal Federal é uma instituição. E o Brasil é um país que se utiliza dessas instituições para funcionar, representar e defender os interesses de seu povo (ou pelo menos deveria). Se tem algo que esse processo de impeachment confirmou, é que nada em todo esse sistema está funcionando, nenhuma instituição está cumprindo seu papel e nenhum lado do muro está verdadeiramente ao lado do Brasil.

Não é mais uma questão de golpe ou Constituição. Não é mais uma questão de “que lado do muro você está? Da democracia ou da luta?”. Os dois lados se utilizaram de um golpe quando lhes foi conveniente e os dois lados se utilizaram da democracia constitucional quando também lhes foi conveniente. E enquanto essa política de conveniência corria solta em todo o território nacional, a população estava mais preocupada em discutir qual o gênero mais correto para a palavra Presidente (ou seria Presidenta?). E agora 12 milhões de brasileiros estão desempregados. 60 milhões não conseguem pagar suas contas. E 200 milhões ficaram a deriva de um sistema saturado que sempre vai arrebentar para o lado do mais fraco, seja em 1992 ou em 2016.

O mais triste disso tudo é o custo Brasil. O preço que teremos de pagar para recolocar o país nos eixos. Uma democracia tão recente não deveria passar por dois processos de impedimentos presidenciais. O mérito a ser discutido não é o da correta ou não aplicação desse artigo constitucional, mas sim em como é que chegamos a esses fatos tão extremos.

Os pactos pela governabilidade a qualquer custo; o pensamento individualista-partidário; votar no candidato que mais paga cesta-básica ou tanque de combustível; a institucionalização da corrupção, desde o cafezinho do policial até o Conselho Administrativo da Petrobras. Esse é o custo Brasil, esse é o sistema que nos colocou onde estamos. E esse é o sistema contra o qual lutamos.

O velho formato de se fazer política precisa ser substituído por uma nova forma de se fazer política. O senso crítico em nossa sociedade precisa ser discutido e reestabelecido. 513 deputados federais, 81 senadores e 1 presidente não levaram o nosso país a essa falência institucional. Eles fazem parte dos 200 milhões de brasileiros, nós fazemos parte disso. Nós somos tão responsáveis quanto, nós os elegemos (e não tem nem dois anos)

Não precisamos mais de presidentas ou presidentos. Precisamos de uma Presidência da República que valorize a instituição, que pense o Brasil como Nação.  Que nos lidere, de forma coletiva, no pagamento desse custo Brasil, no reestabelecimento da nossa democracia. Democracia essa que foi perdida há muito tempo antes da própria eleição e impeachment de Dilma Rousseff. Esse ano temos a possibilidade de começar essa reconstrução, iniciar um novo país. Temos a possibilidade de começar a pensar criticamente e escolher bons projetos de representação e não apenas bons jingles para nos representar nas Câmaras Municipais ou nas Prefeituras. Afinal de contas, 200 milhões de brasileiros moram nas cidades desse nosso Brasil ao mesmo tempo que também moram no terceiro andar do Palácio do Planalto.

Publicado no Jornal Diário da Serra – Botucatu/SP – 31/8/2016

E SE A PRESIDENTE CAIR?

(Foto: Wilton Júnior/AE)

A nossa Presidente pode cair e isso é algo muito sério para a democracia brasileira. Não vou entrar no mérito se a presidente Dilma Rousseff merece ou não, se cometeu crimes para ou não ser afastada do gabinete. Uma reflexão sobre o que é, em um estado democrático de direito, ter o seu comandante-chefe afastado de seus deveres, é necessária.

Concordando ou não, a Presidencia da República é uma instituição. Acima dos homens e mulher que já ocuparam a cadeira do terceiro andar do Palácio do Planalto, a Presidência é a representação de todos os brasileiros. E o que significa quando a pessoa eleita democraticamente para esse cargo é retirada do mesmo, principalmente quando há motivos para? Apenas traz a tona crises gravíssimas que abalam a nossa Nação. Exatamente o momento em que vive o nosso Brasil.

Um Estado sem comando é um Estado fraco, é um país sem liderança, uma sociedade sem representatividade. Sem representatividade nos bairros, sem representatividade nos municípios, nos estados e no país. Sem representatividade entre nós. Congresso corrupto, sociedade corrupta. Não adianta protestarmos pela dissolução do Congresso Nacional se não devolvemos o troco que recebemos a mais no supermercado.

A verdadeira reforma política começa em nossos lares, com a nossa família. Educai vossas crianças para que não precisai punir vossos adultos, já dizia o ditado. A possibilidade de afastamento da Presidente da República apenas retrata a grave crise social em que vivemos. São homens matando mulheres, filhos desrespeitando pais, alunos querendo ensinar professores. É esse o futuro da nossa Nação?

Já tivemos um Presidente afastado e, embora justificado – assim como hoje se justifica o afastamento da Presidente Dilma – o processo é extremamente agressivo para a nossa República. Entretanto, a dureza dos processos nos faz crescer. O sofrimento traz a resiliência que nossa Nação hoje precisa. Nosso país não precisa de compreensão, nosso país precisa crescer. Crescer na moralidade, crescer na honestidade, crescer na educação, no desenvolvimento tecnológico, industrial, nos direitos básicos, crescer no cumprimento de seus deveres.

Basta de discursos vazios, de pautas sem fundamento. Basta de crer em ideologias e glorificar pessoas. Mais do que nunca, o sentimento de unidade nunca foi tão necessário. Apesar da nossa Presidente da República merecer ser afastada do cargo que ocupa, toda a sociedade deveria sofrer um processo de impeachment. Porquê só aí essa sociedade irá passar a construir a grande Nação que o Brasil pode se tornar. A grande Nação que o Brasil um dia irá se tornar. É hora de reunificar o Brasil.

OS 37 MILHÕES DE ELEITORES QUE REELEGERAM DILMA ROUSSEFF, MESMO SEM VOTAR EM DILMA ROUSSEFF

Não venham me dizer que o voto branco ou nulo, e até mesmo o ato de não votar, seja uma “posição” política. Não neste momento em específico da política nacional. Não em um pleito em que 3,4 milhões de votos (3%) garantiram a reeleição. Em um momento em que a permanência de um mesmo partido no poder (agora por 16 anos), fez emergir na população um sentimento de mudança e patriotismo que não se via no brasileiro desde 1992 com o impeachment do então presidente da república Fernando Collor de Melo. É válida essa “margem da vitória” ao se tratar de democracia, entretanto a mesma validade dessa margem é colocada em xeque ao vermos a somas das taxas de abstenção, brancos de nulos ser de 30% do eleitorado.

Falta de responsabilidade política daqueles que usaram do discurso “não me representa”. Falta de responsabilidade porque, com esse discurso, o Brasil inteiro ficou na iminência de uma mudança necessária no que diz respeito a “alternância de poder”, preceito fundamental do regime democrático. A questão em evidência: o que motivou 37 milhões de brasileiros a deixaram de exercer o maior direito democrático e constitucional que o nosso povo conquistou tão recentemente a custo de armas em punho? Por que preferiram ter um “voto de avestruz” a escolher entre dois candidatos para o maior cargo desta República? O afastamento do brasileiro frente as questões políticas do país é calculado e intencional. Uma manobra política que põe a democracia desta Nação sob o questionamento da ética e da moral.

O brasileiro assistiu, por 60 dias, a violenta campanha do PT invadir o seu lar e propagar a incerteza. Assistiu, por 60 dias, as agressões publicitárias desnecessárias (ou necessárias para tal partido) aterrorizar a sociedade com mentiras e ilusões. Assistiu, por 60 dias, a campanha de desconstrução de imagens de líderes políticos. Assistiu (lê-se sofreu) por 60 dias, o ESTUPRO POLÍTICO cometido pelo Partido dos Trabalhadores contra a sociedade brasileira ao fazer uma campanha suja, uma campanha do medo.

Agora a batalha a ser travada por todos aqueles que ainda acreditam em uma Nação mais justa, mais forte e mais correta, será reeducar o país. Garantir que o povo brasileiro volte a dar atenção às questões políticas, pelo que realmente importa: educação; saúde; moradia; emprego. Um futuro amplamente próspero para o Brasil, pois, como um dia disse nosso querido Eduardo Campos, “é aqui onde iremos criar nossos filhos”.

Publicado em: Jornal Comércio do Jahu / Jornal Diário da Serra