NOVA POLÍTICA

(Foto: fonte desconhecida)

“Nova Política”, início do século XXI; “República Nova”, início do século passado. Sem um conteúdo realmente inovador, transformador e praticado, não passam de termos pensados mais para desconstruir, por meio da publicidade, aquilo que veio antes, do que denominar o que, de fato, vem a seguir. Nos dois casos, o grande desafio acontece em estabelecer efetivamente, dentro de um mesmo sistema, novas praticas, processos, iniciativas e até mesmo sonhos. E perceber a linha tênue que separa a hipocrisia do mais puro sentimento de mudança, é um desafio maior ainda durante todo esse processo.

Somos todos seres humanos. Seres passíveis de erros, passíveis de falhas, sujeitos a faltas e lamentações. Não é essa a questão, porque não é uma ou duas escolhas erradas que definem negativamente o nosso caráter ou se fazemos parte da nova ou da velha política. O que nos classifica no novo ou velho é justamente a intensidade dessas escolhas, o sentimento por trás delas, o mais puro instinto do nosso ser.

“Uma perspectiva muito filosófica, isso aqui é política”, alguns podem dizer, mas a política é pensar a sociedade, é pensar a população. E pensar a vida de seres humanos sem levar em conta que são seres humanos é a origem de toda essa crise, principalmente quando esse pensar vem da mente daqueles que legislam (no sentido de escolher, dentro ou fora da política institucional) em causas próprias. Isso leva a escolhas erradas, não uma ou duas, mas um mandato, uma campanha, uma vida inteira de escolha erradas. E o problema não é o erro, nós devemos aprender com os nossos erros. O problema é justamente a origem desse erro político, legislar em causa própria. Buscar alcançar vantagens financeiras, de influência, de crenças e até mesmo a hegemonia de raças é uma questão de caráter, de intensidade,  de sentimento. É uma questão de puro instinto.

Não existe nova ou velha política, o que existe é política. Política essa que foi desvirtuada com o passar dos séculos, – e aqui a gente saí do raso discurso PT x PSDB – desvirtuada a partir de ações. Ações de homens e mulheres que se basearam em seus caracteres negativos, em seus sentimentos. Sentimentos diferentes de fazer aquilo pensando em melhorar a vida da população. E fazer algo com origem diversa ao que é melhor para a sociedade, rompe com aquilo que deveria ser a razão primária de estarem ali.

As ferramentas são as mesmas, desde os Gregos, em Atenas, até a eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados, noite passada, em Brasília. Não que não tenham havido avanços na política durante esse tempo, mas não podemos querer reinventar a roda. Precisamos querer desenvolver novas tecnologias, que se apliquem em larga escala e substituam a roda. Mas isso só vai acontecer se usarmos as rodas do carro para ir até o laboratório trabalhar. Até alcançarmos essas novas tecnologias políticas, a forma como as ferramentas disponíveis são utilizadas, o sentimento que gera a ação pela qual elas são acionadas, é o que separa a nova da velha política, assim como separa a hipocrisia do mais puro sentimento de mudança.

Não devemos buscar uma “nova política”, na terminologia da desconstrução, ficar apontando dedos e mais preocupados em dizer quem é nova ou velha política do que melhorar a vida da Dona Maria que tem dois empregos, mãe solteira, três filhos e ainda arruma tempo para levá-los ao parque da cidade. Devemos repensar os motivos que nos levam a praticar determinadas ações, tomar determinadas posições, seja no governo, nas eleições, no partido, na reunião de condomínio ou dentro de casa. Será que agimos pelo melhor do coletivo ou apenas pelo nosso interesse, pela vantagem, pela nossa bandeira, pela nossa causa?

A questão é buscar uma nova forma de se fazer política, que de nova não tem muita coisa. Os gregos iniciaram tudo pensando em organizar a sociedade a fim de melhorá-la. Precisamos voltar àquela essência. Isto não é filosofia, isto é Política.

2016

2016

(Imagens: Filipe Frazao/ Shutterstock)

Metade do ano. Chegamos a metade do tão esperado ano do impeachment, do longínquo ano das Olimpíadas RIO 2016 e do 4º ano de House of Cards (série americana ou realidade brasileira, o leitor decide). De toda forma, o que fizemos até agora? O que nos propulsemos fazer? O que ainda iremos fazer?

Em uma perspectiva macro-cósmica, a segunda década desse século vem sendo pautada – seja no campo social, político ou econômico – por uma iminência de mudança e transformação que ainda não se concretizou. Mudança para onde ou para o que? Talvez esse seja o problema, saturamos um sistema antes mesmo de desenvolvermos um novo.

Ficamos tão obcecados pela era do consumismo, “ser vs. ter”, futuro-futuro, que nem em nossos pensamentos fomos sustentáveis. Não vivemos o nosso presente, pensando em conceitos; e não sabemos como viver o nosso futuro, ainda pensando em conceitos. Em um ciclo vicioso, nossa sociedade atingiu uma hipocrisia que abrange direita, esquerda e o considerado novo. Impossível se limitar ao campo político, agentes públicos, sistemas de governo, instituições, quando, infelizmente, o problema chegou à espinha dorsal da civilização: a cultura social.

Desespero? Esperança? E agora? Precisamos reinventar as ferramentas que podem mudar essa cultura, que podem transformar a sociedade, e o ano de 2016 está marcando o limite para isso. Não porque um calendário antigo disse, mas porque essa angustia que sentimos, essas explosões em redes sociais que compartilhamos, e essas situações inimagináveis de civilidade que vivenciamos todos os dias – desde estupros coletivos à animais abatidos friamente – apontam para o limiar do nosso entendimento, da nossa sobrevivência (mental ou física).

Dentre os agentes com maior possibilidade de ação, os jovens. Dentre os formatos com maior efetividade e durabilidade, a educação. Dentre as ferramentas com maior potencial de transformação, a política. Ações como a Lava Jato, as investigações do Ministério Público e o apoio dessa mesma sociedade dão à Política uma esperança de renovação efetiva. Mas não importa quantas postagens sejam feitas em cima de movimentos financiados pelo antigo, qualquer verdade no discurso apenas irá romper a barreira da hipocrisia e as manobras desse mesmo antigo quando as urnas eletrônicas apontarem que realmente existe uma sincronia entre vontade e realidade, esperança e realidade, presente e realidade.

O pavio foi aceso nas manifestações de Junho de 2013. Desde então, as brumas que se formam diante de nós todos os dias, em cada escândalo, em cada movimento, em cada situação, ainda não revelaram se estamos diante do verdadeiro novo ou apenas da manutenção de um status quo com uma nova roupagem. Entretanto, mais importante do que esperar dissipar, é refletirmos sobre o que realmente estamos fazendo para finalmente atingir um novo sistema que substitua esse já saturado. Para atingir uma nova Era de desenvolvimento econômico, social e humano em nossa Nação.

2016 está sendo marcado por massacres baseados em orientações sexuais, em fundamentos religiosos e em fronteiras físicas. Em nossos universos pessoais, parece irrisório pensarmos que jogar o lixo no lixo muda algo, que darmos bom dia ao vizinho transforma alguma realidade, que confirmarmos o nosso voto naquele que tem um bom projeto e ao mesmo tempo aparece em último nas pesquisas eleitorais vá fazer algumas diferença, mas nos esquecemos que somos seres coletivos. Política é pensar o coletivo, é transformar positivamente o coletivo.

E é isso que está faltando, não só na política, mas na sociedade em geral: perceber que somos todos seres humanos. Nas filas do SUS, nas carteiras escolares, nas calçadas frias da cidade de São Paulo, nos RHs das empresas, somos todos seres humanos. Não podemos mais ser “nós e eles”, “aqui ou lá”, “esquerda e direita”. Ou mudamos isso ou iremos sucumbir como civilização. São tantas as crises aí postas, não podemos nos dar ao luxo de chegar ao “ponto sem volta”. Esse ano nos dá a oportunidade de escolhermos, de fato, a mudança. Que venha a segunda metade de 2016, que saibamos votar direito nessas eleições.