O QUE VOCÊ FARIA COM R$ 3.6 TRILHÕES?

No calendário legislativo, só pode haver recesso parlamentar de final de ano se o orçamento do próximo ano for votado e aprovado. Isso vale para as Câmaras Municipais, Assembléias Legislativas e para o Congresso Nacional. Na última semana, 10 dias antes do “prazo final”, Deputados e Senadores aprovaram o Orçamento da União para 2018: R$ 3.605.198.884.157,00

A chamada Lei Orçamentária Anual de 2018 é responsável por discriminar todos os gastos que a União vai executar no próximo ano e a nossa é superior a três trilhões de reais. O primeiro questionamento que qualquer brasileiro faz – e sim, vou assumir o risco de falar em nome de todos – ao ver essa cifra é: “para onde vai esse dinheiro?”.

Não é novidade nenhuma que o custo do Estado Brasileiro, ou seja, os gastos para manter toda a estrutura, programas, políticas, obras, órgãos, empresas estatais são enormes. Isso inclusive fomenta uma outra discussão sobre Estado Mínimo vs. Estado Máximo. Eu particularmente defendo o Estado Mobilizador: aquele que é necessário para incentivar que as pessoas assumam o protagonismo e ao mesmo tempo que dê suporte para aqueles que não o conseguem.

Mas a questão aqui é outra, é sobre o nosso Estado atual e o seu orçamento trilionário. Será então que o grande problema é falta de dinheiro ou é a forma como esses recursos são geridos e gastos? Não vou responder essa pergunta, mas vou contar como esse orçamento foi aprovado naquela noite de quarta-feira na capital federal.

Depois de horas e horas de discussões protagonizadas pela base do governo e também pela oposição, sobre assuntos completamente alheios ao orçamento – golpe vs. não golpe – o Presidente do Congresso Nacional apenas disse: “aqueles que forem pela aprovação permaneçam como se acham; aprovado”.

Sim, esse orçamento trilionário que deixa os R$ 51 milhões do Geddel parecendo troco de padaria foi aprovado de forma simbólica e sem discussão de mérito. Na ocasião, o deputado Miro Teixeira, uma das únicas vozes com clareza naquele local exclamou: “o maior apoiador do Governo Temer é a própria oposição!”. Guardadas as proporções, não poderia estar mais certo.

E para as pessoas que ficam fanáticas no botão compartilhar quando um deputado faz o discurso “contra o golpe” ou “pela Intervenção Militar”, lembre-se que um orçamento foi aprovado sem discussão. Um orçamento de 3,6 trilhões de reais com emendas, previsões de transferência, recursos para a previdência e até mesmo um Fundão Eleitoral.

Esse foi o orçamento só da União. Pergunto agora: e o orçamento do Estado de São Paulo? E o orçamento do seu município? Como foram aprovados? Será que está previsto o 13° do próximo ano? Está na hora de ocupar a política!