VOCÊ, JOVEM!

(Imagem: Thinkstock)

Sem demagogia e nem clichês: é você jovem que tem o poder de mudar a realidade do seu município.

Não somos o futuro do país, somos o presente e, enquanto nós não ocuparmos esse espaço, não temos direito nenhum de reclamar a forma como nosso país vem sendo conduzido. Qual espaço? Os espaços de representatividade política. E nós podemos ocupá-los de duas formas: ou como candidatos a essas posições; ou votando e elegendo candidatos jovens para ocuparem essas posições.

Comumente vemos campanhas pelo voto jovem, aquele eleitor que tem de 16 a 32 anos. O grande problema é que na maioria das vezes, junto com esse pedido, vem uma candidatura de alguém mais velho, seja de idade e/ou de tempo na política. E não vamos aqui desconstruir os candidatos e políticos mais velhos, afinal é verdadeiro o preceito de que uma geração aprende com a outra e eles tem toda a legitimidade para disputar esses espaços, afinal vivemos em uma democracia. A grande pergunta que devemos fazer é: “quem melhor para pensar e decidir o que devo ou não estudar no ensino médio? Alguém que estava na escola há 50 anos ou há 5?”. É preciso passar o bastão nessa corrida democrática.

Jovens pensam como jovens; jovens vivem como jovens; e jovens tem sim competência para administrar um país jovem. Somos 30% do eleitorado brasileiro e devemos fazer valer esse número na representação pública. Nós que nascemos na era da internet, na era da diversidade, na era de uma nova forma de se fazer política temos que apoiar uns aos outros. Aos poucos nossa geração vem percebendo a importância de participar dos processos políticos, mas exigimos que sejam processos limpos, éticos e comprometidos. Para isso, renovação total, sangue novo! 

É hora da juventude assumir o Brasil. É hora da juventude brasileira chamar para si a responsabilidade pela transformação social, econômica e até mesmo humana. Vamos eleger jovens como nós, vamos mostrar que não somos o futuro, somos o presente do Brasil, somos o Brasil. No próximo domingo, nas eleições municipais, mesmo que você não seja jovem de idade – mas sim de ideias – vote em um jovem, assuma a sua responsabilidade!

NEM PRESIDENTA, NEM PRESIDENTO

(Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A Presidência da República não é um  partido político, não é uma empresa privada, não é um órgão público, tampouco é uma pessoa. A Presidência da República é uma instituição. O Congresso Nacional é uma instituição. O Supremo Tribunal Federal é uma instituição. E o Brasil é um país que se utiliza dessas instituições para funcionar, representar e defender os interesses de seu povo (ou pelo menos deveria). Se tem algo que esse processo de impeachment confirmou, é que nada em todo esse sistema está funcionando, nenhuma instituição está cumprindo seu papel e nenhum lado do muro está verdadeiramente ao lado do Brasil.

Não é mais uma questão de golpe ou Constituição. Não é mais uma questão de “que lado do muro você está? Da democracia ou da luta?”. Os dois lados se utilizaram de um golpe quando lhes foi conveniente e os dois lados se utilizaram da democracia constitucional quando também lhes foi conveniente. E enquanto essa política de conveniência corria solta em todo o território nacional, a população estava mais preocupada em discutir qual o gênero mais correto para a palavra Presidente (ou seria Presidenta?). E agora 12 milhões de brasileiros estão desempregados. 60 milhões não conseguem pagar suas contas. E 200 milhões ficaram a deriva de um sistema saturado que sempre vai arrebentar para o lado do mais fraco, seja em 1992 ou em 2016.

O mais triste disso tudo é o custo Brasil. O preço que teremos de pagar para recolocar o país nos eixos. Uma democracia tão recente não deveria passar por dois processos de impedimentos presidenciais. O mérito a ser discutido não é o da correta ou não aplicação desse artigo constitucional, mas sim em como é que chegamos a esses fatos tão extremos.

Os pactos pela governabilidade a qualquer custo; o pensamento individualista-partidário; votar no candidato que mais paga cesta-básica ou tanque de combustível; a institucionalização da corrupção, desde o cafezinho do policial até o Conselho Administrativo da Petrobras. Esse é o custo Brasil, esse é o sistema que nos colocou onde estamos. E esse é o sistema contra o qual lutamos.

O velho formato de se fazer política precisa ser substituído por uma nova forma de se fazer política. O senso crítico em nossa sociedade precisa ser discutido e reestabelecido. 513 deputados federais, 81 senadores e 1 presidente não levaram o nosso país a essa falência institucional. Eles fazem parte dos 200 milhões de brasileiros, nós fazemos parte disso. Nós somos tão responsáveis quanto, nós os elegemos (e não tem nem dois anos)

Não precisamos mais de presidentas ou presidentos. Precisamos de uma Presidência da República que valorize a instituição, que pense o Brasil como Nação.  Que nos lidere, de forma coletiva, no pagamento desse custo Brasil, no reestabelecimento da nossa democracia. Democracia essa que foi perdida há muito tempo antes da própria eleição e impeachment de Dilma Rousseff. Esse ano temos a possibilidade de começar essa reconstrução, iniciar um novo país. Temos a possibilidade de começar a pensar criticamente e escolher bons projetos de representação e não apenas bons jingles para nos representar nas Câmaras Municipais ou nas Prefeituras. Afinal de contas, 200 milhões de brasileiros moram nas cidades desse nosso Brasil ao mesmo tempo que também moram no terceiro andar do Palácio do Planalto.

Publicado no Jornal Diário da Serra – Botucatu/SP – 31/8/2016