DESONESTIDADE INTELECTUAL NÃO TEM PARTIDO OU IDEOLOGIA POLÍTICA

É muito comum – infelizmente para o Brasil – vermos deputados se utilizando de, digamos, técnicas pouco ortodoxas para fazer o convencimento de suas convicções políticas. Em outras palavras, muitos mentem para defender aquilo que querem defender naquele momento específico, por um motivo específico.

Para quem não conhece os projetos que estão sendo debatidos, mais parece um pastelão que você assiste na televisão com os seus sobrinhos depois de um almoço de domingo. Para quem os conhece, um lastimável diagnóstico da nossa democracia  representativa.

Essa semana o Plenário da Câmara dos Deputados deliberou e aprovou, depois de uma sessão de 11 horas, a Medida Provisória nº 780 de 2017 que tratava sobre um desses programas do governo federal para refinanciamento de dívidas de pessoas físicas e jurídicas junto a instituições do Estado.

A Base do Governo Temer defendeu radicalmente a aprovação e a Oposição defendeu radicalmente a reprovação da medida. Até aí é costume essa oposição por oposição e situação por situação. Novamente, infelizmente para o Brasil. Mas aqui vem a parte mais “divertida” disso tudo: a distorção de argumentos para tentar convencer, não os outros deputados, mas o eleitor que vai assistir depois o vídeo pelo Facebook.

Se tem uma coisa que aprendi em Brasília é que deputado não fala para deputado, não tenta convencer deputado. Os discursos são feitos, em sua grande maioria, pensando no vídeo editado que depois vai ser transmitido para a bolha social daquele parlamentar na internet.

Legítimo, também acho. Se comunicar com o eleitorado que você representa é um dever de todo parlamentar. Mas não mentir, não distorcer dados e não falar qualquer coisa para ganhar curtidas, visualizações e votos.

No debate sobre essa medida provisória, eu vi deputados da base do governo argumentando que a aprovação iria socorrer as Universidades Federais que estão em crise financeira. Mentira! O texto que estava sendo votado claramente dizia que as instituições ligadas ao Ministério da Educação não poderiam participar desse programa de refinanciamento de dívidas.

Por outro lado, eu vi deputados da oposição ao governo argumentando que a aprovação da medida provisória iria prejudicar a Amazônia. Mentira! Embora o Governo Temer realmente esteja pilotando um desmonte da legislação ambiental e a sociedade deve ficar extremamente alerta para isso (o que vai ser tema de outro artigo), a matéria que estava sendo votada naquele momento em nada tinha a ver com a Amazônia.

Parte dessa nova forma de se fazer política que tanto defendemos é justamente deixar de lado essa desonestidade intelectual e realmente se ater ao mérito do projeto, com base em dados e na verdade. É bom para a população brasileira? Aprova-se! É ruim? Rejeita-se!

Existem sim deputados que fazem isso, que atuam pelo que consideram verdadeiramente o melhor para o Brasil. Precisamos apoiá-los e eleger pessoas que pensam igual no ano que vem. Renovar o Congresso Nacional e as Assembleias Estaduais.

Democracia representativa é para representar o povo. Não ao governo federal, não a empresas corruptas e muito menos ao seu ex-melhor amigo, dono da maior produtora de carne do Brasil.  

UMA REPÚBLICA NÃO PODE CAIR SE HÁ TEMPOS JÁ ESTAVA NO CHÃO

Não há precedentes em nossa história recente! Nem mesmo o Golpe Militar de 1964 mostrou um país tão fragilizado. Lá, a violência ocorria de fora para dentro, quando um grupo se articulou e tomou, pela força, a República. Aqui, a violência ocorre de forma transversal, dentro e fora do governo, em todas as esferas e instâncias, quando diversos grupos se articularam e tomaram, pela corrupção, a República.

As delações da JBS surpreendem a própria surpresa de termos um Estado cuja corrupção fora institucionalizada não apenas pela Odebrecht, mas também por diversos outros setores e agentes públicos. Agora, fica claro que a discussão de “quem votou em quem” é sem sentido e apenas tira o foco do que importa: nos roubaram a República.

Roubaram, no plural, porque não foi um político, um partido ou uma empresa. Foram diversos políticos, partidos e empresas. E os pouquíssimos que sustentaram por tanto tempo a verdadeira luta contra a corrupção, e que, por consequência, hoje estão isentos de qualquer envolvimento com os escândalos, sofrem ataques covardes daqueles que estão mais do que na mira da Lava-Jato e articulam para acabar com a operação.

Quando quatro dos cinco principais presidenciáveis das eleições de 2006, 2010 e 2014 somam cifras que beiram os R$ 500 milhões em propinas, acima do sentimento de revolta está se estabelecendo um sentimento de desesperança. Desesperança no país e descrença generalizada naqueles que se propõem à vida pública. Isso é perigoso!

Perigoso porque abre margem aos oportunistas de plantão, aos “movimentos apartidários” comprados e aos discursos populistas que, para início de conversa, contribuíram para esse momento de crise na representatividade. Perigoso porque a generalização neutraliza aqueles que se posicionam pela defesa do Brasil e por uma nova forma de se fazer política.

O cerne da nossa Democracia é o poder que emana do povo e que há muito tempo não mais está nas mãos do povo. A República não caiu a partir das graves implicações do Presidente, ela já está no chão desde o momento em que o abuso de poder econômico e político fraudou eleições gerais, presidenciais, votações do Congresso Nacional e decisões da Esplanada dos Ministérios.

O caminho é um só: pela sociedade, a partir de Eleições Diretas! #ForaTemer #JulgaTSE #DiretasJá