INSTITUIÇÃO BRASIL

(Foto: Eraldo Peres/AP)

Qual a diferença entre governo e Estado? Entre aquele grupo, “causa de todos os problemas do país”, que ganhou as últimas eleições e aquela formação democrática citada no preâmbulo da nossa Constituição Federal? Em uma das definições dos dicionários, governo: o presidente e seu ministério; Estado: país soberano, com estrutura própria e politicamente organizado. Em um primeiro momento, a distinção parece muito clara. A linha tênue que separa governo e Estado é a grande questão. E ainda mais, a inatenção da sociedade no que tange essa reflexão é o que realmente está destruindo o país nessa verdadeira guerra civil entre ‘mortadelas e coxinhas’.

Injusto, de fato, atribuir essa responsabilidade apenas à sociedade quando este próprio governo – e seus predecessores – não afere esse questionamento. Marca principal dessa constatação é a personificação presente em todo pleito eletivo: “porquê aquela política foi feita no governo do meu partido”; “porquê você vai destruir o programa implementado no meu governo”. É intrínseco, infelizmente, até a mudança de nome dos programas públicos apenas para dizer que essa boa ideia foi de um governo e não de outro.

O Brasil precisa de um Estadista, não mais outro governista. De um Estado, não um governo. Quando se é eleito Presidente de uma República, este não preside apenas seu eleitorado, passa a presidir toda uma Nação. Quando um Ministério implementa um programa social, não é o programa social daquele partido, é o programa social de todos os brasileiros. O governo é trocado de quatro em quatro anos, o Estado é único. Deveria ser único.

O mundo sempre esteve dividido em dois grupos: biscoito e bolacha; Samsung e Apple; comunismo e capitalismo; sertanejo e rock; Star Trek e Star Wars; gato e cachorro. Contudo, em uma República de alto rendimento como esta que desejamos para o nosso país, é insustentável a continuidade desse modelo de governar, entre nós e eles. Exemplo ilustrado é o inimaginável muro de aço construído na Capital Federal para separar os favoráveis e os contrários ao impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Não podemos ter dois tipos de pessoas no país, precisamos de um único tipo: brasileiros. A unidade do Estado deve ser restaurada, precisa ser reinventada.

A reconstrução estatal começa no fortalecimento das instituições que compõe este Estado. Não podemos ter um Ministério Público fragilizado, não podemos ter uma Esplanada dos Ministérios desqualificada, não podemos ter um judiciário rifado, um Congresso Nacional desacreditado – e corrupto – e uma Presidência da República TEMERária. A sociedade não pode desistir do Brasil, não pode generalizar os agente públicos. Há pessoas boas em todos os lugares.

É preciso fortalecer nossas instituições, fortalecer a Instituição Brasil. Como fazer isso? A partir do momento em que uma democracia foi “construída” com base em mentiras, com base em dinheiro desviado dos cofres públicos, com base no medo e na ilegitimidade, o poder de decidir os rumos da Nação deve voltar a quem mais interessa, à própria Nação. Essa alternativa não é golpe, essa alternativa é Constitucional. Novas Eleições SIM!

O caos desencadeia caos, a desordem gera desordem, a corrupção mais corrupção e a divisão para conquistar não é o que o Brasil precisa. Precisamos de alguém que pense na Nação, não na reeleição. De reeleição esse país já não aguenta mais. De legisladores por causa própria, a Lava-Jato coleciona réus. Precisamos reunificar o Brasil.

Estado: conjunto das instituições (governo, órgãos de controle, funcionalismo público etc.) que controlam e administram uma Nação – a nossa Nação.

AGENDA BRASIL

(Foto: Ricardo Nemetala-Pinterest)

 

A República caiu e não no momento do vazamento das gravações telefônicas envolvendo o primeiro escalão do Governo Federal. A República caiu no momento em que a máquina suprapartidária de corrupção se intensificou na Petrobras, nas obras públicas e nos governos brasileiros. Em momentos de crise como este em que vivemos, é muito raro encontrarmos uma solução que resolva de imediato todo o problema. Entretanto, devemos ser enérgicos e começar a adotar medidas que combatam essas práticas nefastas à nossa Nação. Medidas que responsabilizem àqueles que cometeram crimes contra a nossa pátria. Não podemos desistir do Brasil.

Chegamos ao ponto em que as evidências e investigações convergem à um dos maiores desvios conhecidos de recursos públicos do mundo, em regimes democráticos ou totalitários. A Presidente Dilma deve ser afastada do cargo, o ex-Presidente Lula deve ser levado à julgamento, assim como a maioria do Congresso Nacional deve ser investigada pelos mesmo crimes cometidos contra o nosso país. Mas em verdade, está posto um novo questionamento: e agora?

Temos a sociedade nas ruas, temos as instituições tomando posições, temos um governo divido, e por 20 dias é tudo o que temos, por 20 anos é tudo o que tivemos: um verdadeiro Fla-Flu que levou, essa semana, ao homicídio de um militante pró-impeachment. Isso não é uma construção de democracia, isso não é uma construção de coletividade, isso não é uma construção de Nação. Ninguém está discutindo nada,  nota-se uma acefalia geral, uma anomalia social. Estamos no caminho para uma silenciosa e inconsequente guerra civil.

Onde estão as instituições pensando em como sair dessa crise? Onde estão as escolas incentivando nossas crianças a desenvolverem novas formas de pensar? Onde estão os partidos políticos e suas lideranças refletindo uma nova forma de se fazer política? E principalmente, onde está o povo brasileiro fazendo efetivamente a sua parte pelo progresso da nossa Nação? Sem discussão não há planejamento. Sem planejamento não há construção. Sem construção não há evolução. E esse é um erro catastrófico que o nosso país, bem recentemente e recorrentemente, já cometeu.

Nossa economia novamente está falida; nosso sistema político novamente está saturado; e nossas políticas sociais novamente são inexpressivas. Todo o caminho avançado desde a redemocratização do Brasil está em risco e não é por meia dúzia de defensores de uma intervenção militar. – porquê convenhamos, não irá ocorrer uma nova ditadura militar, sequer as 3 milhões de pessoas dos protestos estivessem clamando por isso, e elas não estavam. Eu sei disso, você sabe disso, as Forças Armadas sabem disso – É pelo nosso povo estar perdido, sem representação, sem direcionamento, sem saber pensar, que estamos estagnados.

O planeta avança para a terceira década do século XXI. Os países se organizam em torno de uma nova ordem, pensando cada vez mais em políticas públicas que alinhem o social ao econômico. Refletindo e agindo, mesmo que aos poucos, por um desenvolvimento mais sustentável. Porquê a crise não é um privilégio do Brasil, mas aqui ela está agravada pelo profissionalismo da corrupção.

Para entendermos – e até pautarmos – o papel que o Brasil irá desempenhar neste novo ciclo da história globalizada, faz-se necessário discutirmos hoje quanto aos rumos pelos quais o nosso país está sendo conduzido. E o primeiro passo para isso são eleições diretas e gerais, já! O segundo passo, a discussão programática de uma Agenda Brasil: princípios e ações pelo país que queremos. Na educação, na saúde, na economia, na política, no trabalho, na sociedade. Não deveria ser nesta ordem, eleições e depois debate, mas a urgência e gravidade presentes na atual conjuntura não nos dão outra opção. Apenas nos resta reunificar o Brasil e irmos juntos em torno de ações, em torno de pessoas que agem e sempre agiram além do discurso bonito de um desenvolvimento sustentável.

E SE A PRESIDENTE CAIR?

(Foto: Wilton Júnior/AE)

A nossa Presidente pode cair e isso é algo muito sério para a democracia brasileira. Não vou entrar no mérito se a presidente Dilma Rousseff merece ou não, se cometeu crimes para ou não ser afastada do gabinete. Uma reflexão sobre o que é, em um estado democrático de direito, ter o seu comandante-chefe afastado de seus deveres, é necessária.

Concordando ou não, a Presidencia da República é uma instituição. Acima dos homens e mulher que já ocuparam a cadeira do terceiro andar do Palácio do Planalto, a Presidência é a representação de todos os brasileiros. E o que significa quando a pessoa eleita democraticamente para esse cargo é retirada do mesmo, principalmente quando há motivos para? Apenas traz a tona crises gravíssimas que abalam a nossa Nação. Exatamente o momento em que vive o nosso Brasil.

Um Estado sem comando é um Estado fraco, é um país sem liderança, uma sociedade sem representatividade. Sem representatividade nos bairros, sem representatividade nos municípios, nos estados e no país. Sem representatividade entre nós. Congresso corrupto, sociedade corrupta. Não adianta protestarmos pela dissolução do Congresso Nacional se não devolvemos o troco que recebemos a mais no supermercado.

A verdadeira reforma política começa em nossos lares, com a nossa família. Educai vossas crianças para que não precisai punir vossos adultos, já dizia o ditado. A possibilidade de afastamento da Presidente da República apenas retrata a grave crise social em que vivemos. São homens matando mulheres, filhos desrespeitando pais, alunos querendo ensinar professores. É esse o futuro da nossa Nação?

Já tivemos um Presidente afastado e, embora justificado – assim como hoje se justifica o afastamento da Presidente Dilma – o processo é extremamente agressivo para a nossa República. Entretanto, a dureza dos processos nos faz crescer. O sofrimento traz a resiliência que nossa Nação hoje precisa. Nosso país não precisa de compreensão, nosso país precisa crescer. Crescer na moralidade, crescer na honestidade, crescer na educação, no desenvolvimento tecnológico, industrial, nos direitos básicos, crescer no cumprimento de seus deveres.

Basta de discursos vazios, de pautas sem fundamento. Basta de crer em ideologias e glorificar pessoas. Mais do que nunca, o sentimento de unidade nunca foi tão necessário. Apesar da nossa Presidente da República merecer ser afastada do cargo que ocupa, toda a sociedade deveria sofrer um processo de impeachment. Porquê só aí essa sociedade irá passar a construir a grande Nação que o Brasil pode se tornar. A grande Nação que o Brasil um dia irá se tornar. É hora de reunificar o Brasil.