AGENDA BRASIL

(Foto: Ricardo Nemetala-Pinterest)

 

A República caiu e não no momento do vazamento das gravações telefônicas envolvendo o primeiro escalão do Governo Federal. A República caiu no momento em que a máquina suprapartidária de corrupção se intensificou na Petrobras, nas obras públicas e nos governos brasileiros. Em momentos de crise como este em que vivemos, é muito raro encontrarmos uma solução que resolva de imediato todo o problema. Entretanto, devemos ser enérgicos e começar a adotar medidas que combatam essas práticas nefastas à nossa Nação. Medidas que responsabilizem àqueles que cometeram crimes contra a nossa pátria. Não podemos desistir do Brasil.

Chegamos ao ponto em que as evidências e investigações convergem à um dos maiores desvios conhecidos de recursos públicos do mundo, em regimes democráticos ou totalitários. A Presidente Dilma deve ser afastada do cargo, o ex-Presidente Lula deve ser levado à julgamento, assim como a maioria do Congresso Nacional deve ser investigada pelos mesmo crimes cometidos contra o nosso país. Mas em verdade, está posto um novo questionamento: e agora?

Temos a sociedade nas ruas, temos as instituições tomando posições, temos um governo divido, e por 20 dias é tudo o que temos, por 20 anos é tudo o que tivemos: um verdadeiro Fla-Flu que levou, essa semana, ao homicídio de um militante pró-impeachment. Isso não é uma construção de democracia, isso não é uma construção de coletividade, isso não é uma construção de Nação. Ninguém está discutindo nada,  nota-se uma acefalia geral, uma anomalia social. Estamos no caminho para uma silenciosa e inconsequente guerra civil.

Onde estão as instituições pensando em como sair dessa crise? Onde estão as escolas incentivando nossas crianças a desenvolverem novas formas de pensar? Onde estão os partidos políticos e suas lideranças refletindo uma nova forma de se fazer política? E principalmente, onde está o povo brasileiro fazendo efetivamente a sua parte pelo progresso da nossa Nação? Sem discussão não há planejamento. Sem planejamento não há construção. Sem construção não há evolução. E esse é um erro catastrófico que o nosso país, bem recentemente e recorrentemente, já cometeu.

Nossa economia novamente está falida; nosso sistema político novamente está saturado; e nossas políticas sociais novamente são inexpressivas. Todo o caminho avançado desde a redemocratização do Brasil está em risco e não é por meia dúzia de defensores de uma intervenção militar. – porquê convenhamos, não irá ocorrer uma nova ditadura militar, sequer as 3 milhões de pessoas dos protestos estivessem clamando por isso, e elas não estavam. Eu sei disso, você sabe disso, as Forças Armadas sabem disso – É pelo nosso povo estar perdido, sem representação, sem direcionamento, sem saber pensar, que estamos estagnados.

O planeta avança para a terceira década do século XXI. Os países se organizam em torno de uma nova ordem, pensando cada vez mais em políticas públicas que alinhem o social ao econômico. Refletindo e agindo, mesmo que aos poucos, por um desenvolvimento mais sustentável. Porquê a crise não é um privilégio do Brasil, mas aqui ela está agravada pelo profissionalismo da corrupção.

Para entendermos – e até pautarmos – o papel que o Brasil irá desempenhar neste novo ciclo da história globalizada, faz-se necessário discutirmos hoje quanto aos rumos pelos quais o nosso país está sendo conduzido. E o primeiro passo para isso são eleições diretas e gerais, já! O segundo passo, a discussão programática de uma Agenda Brasil: princípios e ações pelo país que queremos. Na educação, na saúde, na economia, na política, no trabalho, na sociedade. Não deveria ser nesta ordem, eleições e depois debate, mas a urgência e gravidade presentes na atual conjuntura não nos dão outra opção. Apenas nos resta reunificar o Brasil e irmos juntos em torno de ações, em torno de pessoas que agem e sempre agiram além do discurso bonito de um desenvolvimento sustentável.

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